Translate

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Para lá das dunas há um lugar mágico


Entre um mar azul e verde para lá das dunas. há um lugar mágico .
Sejam bem vindos , façam favor de entrar !

Brejinho de água do sul , uma casa com história numa aldeia esquecida, longe dos holofotes das luzes da ribalta , eis um brilho diferente um pedaço de paraíso à disposição de todos .
Aqui o silêncio é precioso a brisa marítima abraça a areia quente e cuidada, aqui o sorriso dos medronhos é marca da casa, a piscina de água salgada chama-nos para intensos mergulhos que nos refrescam a alma.

Situado em pleno litoral alentejano, pertence ao concelho de Grândola, sim à terra da fraternidade, este refúgio merece mais que um olhar uma visita, merece um sentimento .
Brejinho de água do sul convida-nos a viajar pelo Alentejo profundo, ainda que perto de rotas de sucesso e bem frequentadas, aqui as vinhas de Brejinho da Costa com os seus néctares de eleição são uma bela opção, sugerimos uma visita à adega . "Afinal um bom vinho é poesia engarrafada "



Depois de um belo copo de vinho, chegámos ao refúgio, recebidos com arte e engenho pelo Nuno e Erika só ao alcance da simplicidade alentejana em comunhão com conhecimento do que a turismo diz respeito , parece fácil ,mas acreditem dá muito trabalho . Ficámos  a saber a história da casa hoje turismo rural outrora estábulo, pocilga, lugar de faina agrícola, são seis os alojamentos todos com pé alto, bem apetrechados , cozinha ar condicionado  televisão por satélite , fogão a lenha, camas espaçosas e bem cuidadas , decoração que nos transporta a memórias antigas com vários utensílios usados na lavoura, um must !
Não me posso esquecer do Pedras  canino bafechado pela sorte, sempre presente um fiel amigo dos cicerones  e convidados



Com praias fantásticas, como Carvalhal, Pêgo, Melides , Comporta, sei lá, a escolha é difícil, longe das multidões perto do coração Atlântico,podemos ser felizes .

 É assim o Alentejo maior e as suas gentes :
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver


Vamos voltar, que se apaguem as luzes acedam-se as estrelas sorriem os medronhos que nós vamos voltar a abraçar o mar !
Vamos voltar !!

Bem hajam 
Carlos Fernandes
Telefone: Brejinho de Água  (Turismo Rural)





quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Acácia


Como sabemos, os judeus sofreram forte influência dos egípcios durante o tempo em que estiveram naquele território. Assim, muitos traços culturais, sociais e religiosos do Egito Antigo foram incorporados pelos judeus. Como exemplos, podemos citar a lenda de Anúbis, filho ilegítimo jogado no rio e posteriormente encontrado por uma rainha que o cria, e a lenda da arca do dilúvio, as quais foram recontadas pelos judeus e tiveram seus protagonistas rebatizados com nomes judaicos: Moisés e Noé.
O mesmo se deveu com a acácia, árvore sagrada dos egípcios e adotada pelos judeus. A acácia era matéria-prima para a produção de artigos sagrados no Egito, adotada pela sua alta densidade e durabilidade, não sofrendo ataque de insetos. Sua goma (conhecida popularmente como “goma arábica”) era utilizada nas cerimônias sagradas de mumificação.
Parece que os judeus aprenderam essa lição, pois a acácia foi a madeira indicada para a construção de todos os importantes objetos sagrados, como no tabernáculo, nos altares, e na arca da aliança. O fato de seu uso estar mais concentrado no “Êxodo” e aos poucos ser substituido pelo cedro e cipreste, confirma essa teoria da influência egípcia.
Até aí tudo bem, mas de onde sairia a inspiração para relacionar a acácia com a lenda de Hiram Abiff? Basta recorrermos a uma das principais lendas egípcias: a lenda de Osíris.
Seth odiava Osíris, que era tido como sábio e poderoso, então resolveu matá-lo. Ele fez um belo caixão com as exatas medidas de Osíris e convidou as pessoas para um jogo: aquele que se encaixasse perfeitamente no caixão, ganharia o mesmo de presente. Logicamente, quando a vez de Osíris chegou, o caixão era perfeito, e Seth e seus cúmplices trancaram Osíris dentro do caixão e o jogaram no rio. Sua mulher, Ísis, o procurou por muitos dias. O caixão havia encalhado e sobre ele havia brotado uma… acácia. A acácia serviu de indicação para que Ísis encontrasse o corpo de Osíris. Por essa lenda, Osíris é considerado o deus da morte e da imortalidade da alma.
Um corpo sob uma acácia e os ensinamentos sobre a morte e a imortalidade da alma soam familiar?
Daí a atribuir à acácia também o significado de segurança, clareza, inocência e pureza, como alguns autores querem, é forçar demais. Deixemos para a acácia sua bela missão de simbolizar a vida após a morte, assim como herdamos dos egípcios. Isso já é o bastante para um único símbolo.
Bem hajam 
Carlos Fernandes


sábado, 2 de julho de 2016

Os seareiros

Quando em 1921 um grupo de intelectuais funda uma revista à qual dá o título de Seara Nova, a situação do país era profundamente instável e socialmente injusta, onde as convulsões a corrupção o desemprego a miséria eram como assim dizer a marca que prevalecia.
Desse grupo de intelectuais faziam parte homens de grande valor como Raul Proença, escritor e filósofo, Jaime Cortesão, professor e historiador, António Sérgio, professor e ensaísta, Aquilino Ribeiro , Câmara Reis  , Ezequiel  de Campos e tantos outros.A preocupação com o que se passava em Portugal era enorme, este grupo de intelectuais, publicava artigos com críticas sobre diversos assuntos e a partir de 1923 sentiu-se na obrigação de pôr a inteligência e cultura ao serviço do país de uma forma mais explícita: resolveu apresentar propostas alternativas que permitissem não só estancar as convulsões que se sucediam ininterruptamente, como salvar a República e a democracia.
O facto de os homens da Seara Nova serem pessoas de saber, informadas fazia-os temer que a instabilidade permanente e em crescendo conduzisse Portugal a resvalar para uma ditadura fascista, tal como acontecera com a Itália com a tomada do poder por Benito Mussolini em 1922 e em Espanha com António Pinto Riviera em 1923.
Consideravam os seareiros que os intelectuais não podiam manter-se alheados da política, deviam intervir .
Ao tempo as instituições criadas pela república não se mostravam capazes de resolver os problemas e por isso tinham perdido a legitimidade.  A insegurança em que as pessoas viviam punha em causa a autoridade do estado.
Na opinião do seareiros, tudo se resolveria com uma reforma profunda das mentalidades, com uma aposta forte na educação .Contudo conscientes que soluções dessa natureza levariam tempo, propunham que a curto prazo que se fizesse uma reforma da administração pública que tornasse os serviços mais eficazes e que garantisse o seu funcionamento, independentemente da política .Fosse qual fosse o partido que estivesse no poder, os serviços públicos (finanças, justiça, educação, saúde..) deviam funcionar de forma a satisfazer as necessidades e anseios dos cidadãos.
Em Março de 1923 os seareiros foram ainda mais longe e propuseram que se formasse um governo com os melhores homens de todos os partidos, um governo de Salvação da República, mas a ideia não vingou, e o futuro foi aquilo que todos sabemos, uma longa ditadura.
 A pobreza, a miséria, a tristeza, a negação de direitos humanos essenciais – porque é disso que falamos quando falamos do estado actual do País – esmagam a liberdade, geram o medo, são más conselheiras. Porque também podem ser fonte de soluções antidemocráticas, que podemos suspeitar como começam mas não podemos saber como evoluem e terminam. Nesta matéria, infelizmente, experiência histórica não nos falta.
Pelos riscos e perigos da situação que se vive em Portugal, há que prestar atenção ao que se passa em países da Europa do Sul, integrantes também eles da UE, especialmente a Grécia, a Itália e a Espanha. Em particular, as recentes eleições gerais em Itália devem alertar-nos para os perigos que representam a demagogia, o populismo, a miragem de salvadores da Pátria, o controlo dos meios de comunicação de massas, tudo factores condicionantes da opinião pública e mobilizadores do eleitorado em sentidos que nada têm que ver com a Democracia entendida como governo do Povo, com o Povo e para o Povo. Se, como diz a canção-hino de José Afonso, “o povo é quem mais ordena”, é difícil imaginar que os portugueses vivam hoje numa democracia representativa, e muito menos na democracia participativa e no Estado de direito democrático de que fala o artigo 2.º da Constituição. Nenhum cidadão pode sentir-se legitimamente representado por alguém que conquistou o seu voto com um programa eleitoral que, vencidas as eleições, não só ignora como espezinha, com uma prática oposta às suas promessas eleiçoeiras. Nenhum cidadão pode sentir-se legitimamente representado quando sente que, depositado o seu voto na urna, fica esgotado o seu ciclo de participação na gestão da coisa pública.


Bem hajam 
Carlos Fernandes

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Memórias A.ruralidades




Memórias de um tempo, bem passado A.ruralidades mais que um grupo, uma paixão bem conseguida .
Memórias :

                     Vou fazer contigo o que a Primavera faz com as cerejeiras .
                           "Pablo Neruda "



Até onde os dedos tocam o quente 
do barro a mão sabe 
antes de saber. 
É um saber mais vivo, um saber 
de ave: águia cegonha falcão,
animais quase no fim
como o lume destes dias.
Testemunhar a favor do lince
é nossa obrigação.
Por ser azul.
Eugénio de Andrade




     Quando as pedras choram,as gentes desviam o olhar ,o Sol esse ,continua a brilhar !
Isna de Oleiros



Orgulho, vaidade, despeito, rancor, tudo passa, se verdadeiramente o homem tem dentro de si um autêntico sonho de amor. Essas pequenas misérias são fatais apenas no começo, na puberdade, quando se olha uma janela e se desflora quem está lá dentro. Depois, não. Depois, sofre-se é pelo homem, é pela estupidez colectiva, é por não se poder continuar alegremente num mundo povoado, e se desejar um deserto de asceta. O ascetismo é a desumanização, é o adeus à vida, e é duro ser uma espécie de fantasma da cultura cercado de areias.
Miguel Torga, in "Diário (1948)"



Querem uma Luz Melhor que a do Sol!
AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol! 
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa


Um dia triste 
Uma vida baça
Um caminho que se fecha 
Uma árvore caída 
Uma luz que apaga 
Um brilho que fica nos meus olhos
Um dia triste
Adeus minha mãe .

Não há Nada que Resista ao Tempo Não há nada que resista ao tempo. Como uma grande duna que se vai formando grão a grão, o esquecimento cobre tudo. Ainda há dias pensava nisto a propósito de não sei que afecto. Nisto de duas pessoas julgarem que se amam tresloucadamente, de não terem mutuamente no corpo e no pensamento senão a imagem do outro, e daí a meia dúzia de anos não se lembrarem sequer de que tal amor existiu, cruzarem-se numa rua sem qualquer estremecimento, como dois desconhecidos.
Essa certeza, hoje então, radicou-se ainda mais em mim.
Fui ver a casa onde passei um dos anos cruciais da minha vida de menino. E nem as portas, nem as janelas, nem o panorama em frente me disseram nada. Tinha cá dentro, é certo, uma nebulosa sentimental de tudo aquilo. Mas o concreto, o real, o número de degraus da escada, a cara da senhoria, a significação terrena de tudo aquilo, desaparecera.
Miguel Torga, in "Diário (1940)"

Pelo sonho é que vamos
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
- Partimos. Vamos. Somos.


Chegamos? Não chegamos?
Basta a fé no que temos.
Chegamos? Não chegamos?
(Sebastião da Gama)
Vamos continuar !
Bem hajam 
Carlos Fernandes

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Vinho de Talha



Considerada em risco de extinção, a produção de vinho da talha tem resistido no Alentejo. A técnica herdada dos romanos caracteriza-se pela simplicidade de processos.

A imagem cativa pela simplicidade. Ao longo do balcão de
mármore humedecido pelas pingas que caem, alinham-se homens meia-idade de boina na cabeça, um ou outro de fato-de-macaco. Todos têm à frente uma peça de fruta sobre um lenço de pano e o canivete ao lado. Peras, "pêros", pêssegos ou marmelos fazem a merenda tradicional que, ao fim da manhã de um dia de semana, vai sendo ingerida com parcimónia, acompanhada por copinhos de vinho branco servidos a bom ritmo. "Se não pedirem tinto, sirvo sempre branco. Isto é uma terra de brancos", explica António Francisco, dono, juntamente com a mulher Maria Júlia, da Taberna "O Arco". Fica no centro de Vila de Frades, freguesia situada às portas da Vidigueira, conhecida por ser o berço da casta Antão Vaz. Faltam poucos dias para a chegada do vinho novo, aquele que todos querem provar. E o que eles desejam está lá ao fundo do estabelecimento, junto à parede: três enormes talhas de barro, duas contendo vinho branco e outra vinho tinto, feitos ali mesmo.

Na auto denominada Capital do Vinho da Talha, é assim, todos os anos, por esta altura - tal como sucede um pouco por todo o Alentejo, com especial relevo nas sub-regiões de Borba, Reguengos de Monsaraz, Vidigueira e Granja. A feitura de vinho por processos artesanais, recorrendo à utilização de grandes vasilhas de barro, uma técnica herdada do período romano, subsiste, apesar de ter caído em desuso. Ao contrário da moderna produção enológica, assente em alta mecanização e no uso frequente de substâncias químicas que dão a segurança e a homogeneidade que o vinho engarrafado em grandes quantidades requer, este método arcaico de vinificação caracteriza-se por uma enorme simplicidade. Está ao alcance de quase todos saber fazê-lo, sendo esta considerada a origem do genuíno "vinho caseiro". Não espanta, por isso, que muitos dos clientes da taberna "O Arco" sejam também eles produtores. Na verdade, é uma prática que até já foi muito mais difundida, mas que se foi perdendo, tal como sucedeu com a feitura caseira do pão, por exemplo.

Como em  muitas outras regiões agrícolas da Europa meridional, noutros tempos, rara era a casa de agricultor que não tivesse produção vinícola própria. Mas, antes dos recursos trazidos pela evolução tecnológica, nada era garantido. "O processo é manual e cheio de riscos", podendo ficar tudo perdido, se não se tiverem os necessários cuidados, explica José Miguel Almeida, secretário-geral da Vitifrades, associação de desenvolvimento local surgida em 1998 e dedicada à promoção e valorização do vinho da talha. Reúne cerca de uma centena de associados dos municípios da Vidigueira, Cuba e Alvito, sendo metade deles de Vila de Frades. Os seus principais objectivos são o aumento da notoriedade desta prática enológica e a melhoria constante da qualidade do vinho assim produzido. Para isso muito tem contribuído o concurso que organiza, todos os anos, e distingue a melhor produção. Acontece durante as Festas Báquicas Vitifrades - este ano, na sua 14ª edição, realizam-se entre 9 e 11 de Dezembro.

O vinho é chamado da talha por, justamente, ser feito nesse recipiente de barro. A olaria foi trabalhada com especial sofisticação pelos romanos, sendo disso exemplo os vestígios encontrados nas vizinhas ruínas de São Cucufate. E isto terá especial importância no decurso do processo de vinificação, por o barro ser um material poroso e assim permitir uma microxigenação no interior da vasilha - que é besuntada previamente com pez, uma resina natural, a fim de evitar a oxigenação excessiva. "Existe uma grande possibilidade de se realizarem trocas gasosas através das paredes de barro da talha, o que beneficia o vinho tinto", explica José Miguel Almeida, salientando, porém, que os procedimentos são iguais para brancos e tintos. O dado mais importante, e sempre sublinhado por quem está ligado à produção, é mesmo o facto de nela não se usarem produtos químicos. "Faz-se tudo de forma tradicional, não lhe adicionamos leveduras, nem enzimas, nem taninos. Usamos zero quantidade de sulfuroso", garante o dirigente associativo e técnico de viticultura.

Apenas leveduras naturais, ou "indígenas", das uvas actuam, durante o processo de feitura da bebida. "Se, um dia, houver uma definição precisa do que é um vinho biológico, este será o que mais se lhe aproxima", afirma José Miguel, notando que as únicas substâncias adicionadas são o ácido tartárico, visando corrigir a acidez do vinho - caso contrário, o calor característico da região alentejana fá-la-ia c D cair irremediavelmente -, e o metabissulfito de potássio, com função antioxidante. Tirando isso, nada mais entra nas talhas. Como resultado dessa não utilização de correctivos, que na produção corrente visa garantir a homogeneização dos vinhos engarrafados, verifica-se uma grande heterogeneidade de estilo e de qualidade entre colheitas. Ao contrário do que sucede com a generalidade da produção colocada no mercado, não existe um vinho igual, de um ano para o outro.

A arte no barro
Ora, então, vamos lá explicar como é que as coisas se processam. Tudo muito frugal. As uvas são desengaçadas, isto é, separadas da parte lenhosa, e esmagadas, como sempre acontece. Colocadas nas talhas, nas quais acontecerá o processo fermentativo, medem-se a densidade do mosto e da sua temperatura, para assim saber o teor de açúcares. No período das 48 horas seguintes, inicia-se a fermentação do mosto - o qual é analisado para determinar o grau de acidez e a eventual necessidade de se lhe adicionar ácido tartárico. O vinho terá que ficar em contacto com as massas, até ao São Martinho. Mais ou menos, dois meses. Durante esse período, é necessário mexer diariamente as massas com um rodo de madeira - uma vara com uma "cabeça" -, mergulhando-as na parte líquida. Isto, a "molha da manta", é feito duas a três vezes, na fase mais tumultuosa da fermentação, que decorre nas primeiras duas a três semanas, e apenas uma, no restante período. No fim do processo, só existe vinho à superfície, com as massas no fundo.
Durante o período de feitura do vinho, através do seu contacto continuado com as massas, diz-se que ele está "na mãe". A camada de álcool e de dióxido de carbono que se vai acumulando na parte superior, associada ao próprio formato da talha, funciona como uma espécie de vedante natural, impedindo a oxidação. Dois meses após o começo da fermentação, retira-se o vinho pela torneira colocada no orifício existente na parte inferior da vasilha de barro, sendo de imediato colocado na parte superior da mesma. Chama-se a isto "passar o vinho", funcionando tal processo como uma filtragem natural do vinho através da parte sólida entretanto acumulada no terço inferior da talha. O objectivo é torná-lo o mais límpido possível. Estará assim pronto para consumir, sobretudo nos dois meses seguintes, pois trata-se de um produto de acentuada sazonalidade. Aliás, uma parte substancial da mais recente produção própria da Vitifrades (cerca de dois mil litros) será consumida durante as próximas Festas Báquicas.

Ainda assim, a associação lançará aproximadamente três mil garrafas de tinto, a partir das uvas Aragonez e Alicante Bouschet colhidas, na campanha deste ano, na vinha própria, que tem 0,8 hectares. Será a segunda safra do Vitifrades Amphora, "o único vinho de talha certificado em Portugal", já produzido na nova adega. O Amphora estreou-se, há poucos meses, com 900 garrafas de branco, feito a partir das castas Antão Vaz e Arinto resultantes da vindima de 2010. Existem outras produções de "vinho da talha" no Alentejo, mas não serão bem a mesma coisa do que aquela originária de Vila de Frades, alerta José Miguel Almeida. "Temos observado algumas tentativas por parte de grande produtores de, através do que escrevem no contra-rótulo das suas garrafas, sugerirem que utilizam as técnicas tradicionais do vinho da talha. Mas nós é que seguimos as regras", diz.



Bem hajam 
Carlos Fernandes

terça-feira, 1 de março de 2016

Quem não pode com o pote, não pega na rodilha ou será a sogra !

 A rodilha (ou “sogra”, como também é conhecida), é uma pequena almofada em forma circular, aberta no centro, ou um simples pano enroscado em que assentam os objectos que se levam à cabeça. As mais elaboradas eram feitas de trapos, lãs e linhas de bordar, entrançadas e bordadas
Varina de Lisboa




Na realidade trata-se de uma protecção utilizada pelas mulheres para facilitar o transporte à cabeça dos mais variados e pesados objectos.

Distinga-se aqui a rodilha (um pedaço de pano, torcido e enrolado redondo e que podia ter outros usos) da “sogra” (uma rodela almofadada de tecido ornamentado, mais a gosto das mulheres e com maior comunidade de uso), sendo esta a denominação mais comum em todo o território nacional.


Sardinheira nas aldeias 
Num passado não muito distante,naquele Portugal esquecido, onde por todos serem miseráveis, a miséria notava-se menos, tempos duros sem  água canalizada, sem luz, sem transportes, foi a rodilha ou a sogra a melhor amiga a maior ajuda .
Que o digam as tricanas e lavadeiras de Coimbra, as varinas de Lisboa, as aguadeiras de Caneças, britadeiras das minas de volfrâmio, as mulheres da beira no transporte da lenha e das pinhas e quantas e quantas vezes no transporte dos filhos .


Lavadeiras de Coimbra


Britadeiras da Beira





Mães de Portugal




O Museu Nacional de Etnologia possui alguns exemplares de “sogras” representativos de várias regiões portuguesas
Eis alguns exemplares _

Rodilha Murtosa -Aveiro


Rodilha Coimbra 






Rodilha Sertã -Castelo Branco



Rodilha  Estreito -Oleiros



Quem não pode com o pote não pegue na rodilha ou será sogra?
Bem hajam 
Carlos Fernandes


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Há coisas eternas..... Escritas de amor !



É provável que a origem dos "lenços dos namorados" ou "lenços de pedidos"esteja nos lenços senhoris do Séc.XVII-XVIII, adaptados depois pelas mulheres do povo, dando-lhe consequentemente um aspecto popular característico.




Antes de tudo, eles faziam parte integrante do trajo feminino e tinham uma função fundamentalmente decorativa .
Eram lenços geralmente quadrados, de linho ou algodão, bordados segundo o gosto da bordadeira.





Mas não é enquanto parte integrante do trajo feminino que nos interessa o seu seu estudo, mas a sua função não menos importante , e da qual lhe vem o nome : a conquista do namorado .







A moça quando estava próximo da idade de casar confeccionava o seu lenço bordado a partir de um pano de linho fino que porventura possuía ou dum lenço de algodão que adquiria na feira ,dos chamados lenços da tropa .
Para realizar esta obra , a rapariga utilizava os conhecimentos que possuía sobre o ponto de cruz , adquiridos na infância,aquando da confecção do seu marcador ou mapa .

Depois de bordado , o lenço ia ter às "mãos do namorado"ou "conversado" e era em conformidade com a atitude deste de usar publicamente o lenço ou não , que se decidia o início duma relação amorosa .

Os lenços carregam consigo, por isso os sentimentos , amorosos duma rapariga em idade de casar, revelados através de variados símbolos amorosos como a fidelidade, a dedicação , a amizade etc...
Estes lenços eram originalmente em ponto de cruz. e por ser um ponto trabalhoso obrigava a bordadeira a passar, durante muitas semanas e mesmo durante muitos meses de serões na sua confecção.
Como a escassez de tempo passou a ser um facto na vida moderna, a mulher deixou de ter tanto tempo para a confecção destes lenços, o ritmo da vida tornou-se mais intenso e a mulher teve que solucionar este problema adoptando no bordado outros pontos mais fáceis de bordar.

Com esta alteração outras se impuseram no trabalho decorativo dos lenços de namorados : o vermelho e o preto inicial vai dar origem a uma grande quantidade de outras cores, e com elas novos motivos decorativos se impuseram .
Os lenços não deixaram porém de ser ainda mais expressivos , acompanhados muitas vezes de quadras de gosto popular dedicados aquele a quem era dirigida tão grande fantasia :O Amado.
Bem hajam
Carlos Fernandes
A nossa homenagem:
São pedras vivas da Terra Verde , deste Verde Minho.
Fazem parte integrante da Terra do Vento, das Sementes e das Pedras que rolam nos ribeiros .
São o tear a agulha e a linha com que bordam este Verde Minho, são a verdadeira Luz deste nosso Portugal .
Dedicado : Aliança Artesanal , cooperativa interesse público responsabilidade l-º
Vila Verde -Portugal